Vasco planeja vender menos de 90% do futebol e cobrar aluguel de São Januário; veja pré-requisitos da SAF 



Em fase final da conclusão estatuto da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), o vasco definiu alguns pré-requisitos para implantação do projeto que vai transformar o futebol em empresa. Preocupado com a possível mudança estrutural a largo prazo, a diretoria trabalha a questão da política interna para aprovar a criação da SAF e, ao mesmo tempo, se resguardar.

São três os principais pontos dos estudos que estão sendo concluídos: 1) garantir investimento para que o Vasco volte a brigar por títulos nacionais e internacionais no futebol, 2) assegurar o equacionamento da dívida de R$ 732 milhões e 3) manter a identidade e a sustentabilidade do clube sem o futebol, que é o histórico trem pagador. Mas como fazer isso?

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Em um primeiro momento, ao contrário de Botafogo e Cruzeiro, o Vasco não planeja negociar 90% de seu futebol. O clube entende que, para receber um aporte financeiro significativo, vai precisar abrir mão do controle. Ou seja, vender ao menos 51% das ações para o investidor. A porcentagem ideal, na visão do clube, está no meio do caminho entre 51% e 90%.

No entanto, o Vasco quer manter um número importante de ações para eventualmente negociá-las no futuro. Primeiro porque a direção aposta na valorização da SAF. E, segundo, porque o clube precisa possuir no mínimo 10% das ações para manter a chamada golden share (“ação de ouro”, na tradução livre), que dá ao Vasco o direito de veto em algumas questões identitárias. 

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– Temos absoluta confiança no gigantesco potencial do Vasco e da nossa imensa torcida. Retendo uma participação acionária maior teríamos a oportunidade de participar de outras rodadas de captação de investimentos, como, por exemplo, em caso de abertura de capital (IPO). Além disso, o CRVG também poderá ter uma participação maior na distribuição dos dividendos, para auxiliar no custeio de suas atividades. Evidentemente, a participação final do CRVG na SAF será definida a partir de um equilíbrio dos interesses do investidor e do clube – revelou o presidente Jorge Salgado, em entrevista por escrito ao ge (confira o restante da entrevista no fim da matéria) . 

Estão entre os itens que o Vasco tem o poder de vetar graças à golden share as mudanças de símbolos, marca, cores, hino e local de sede, por exemplo. Porém, o clube pretende incluir em contrato outros pontos, como valores históricos relacionados a causas sociais, luta contra o preconceito e a relação com Portugal. Essas são questões das quais a direção não abre mão. 

Valor da SAF

Qual é o valor do Vasco? Essa é a pergunta que todo torcedor se faz quando pensa em SAF. O clube contratou parceiros internacionais, com ajuda de peritos, para avaliar por quanto o seu futebol pode ser vendido. A KPMG, consultora que ajuda na elaboração do estatuto, não está participando desse processo específico. A ideia é maximizar o valor, avaliando o tamanho do clube e quanto sua torcida poderá gerar a médio e longo prazo. Até por isso, o fato de estar na Série B do Brasileirão não será levado em conta pelos investidores, na opinião da cúpula vascaína. A metodologia usada considera o potencial futuro de receitas. 

– A metodologia de avaliação deve levar em consideração essas peculiaridades do futebol do Vasco, que é um dos quatro grandes clubes do Brasil com abrangência nacional – ressaltou Salgado. 

Aluguel de São Januário

O Vasco quer se cercar de garantias para que o restante do clube possa se manter sem o futebol. Por isso, planeja cobrar do futuro investidor um valor referente ao aluguel do uso de São Januário, por exemplo. Dessa maneira, entende a diretoria, o Vasco estaria assegurando a autossuficiência das modalidades olímpicas e o melhor aproveitamento econômico/social das sedes do Calabouço e da Lagoa, por exemplo. 

Idoneidade do investidor

Nesse ponto, o Vasco  pretende realizar o chamado background check na ficha do potencial investidor e cobrar garantias de pagamento dos recursos comprometidos. Além disso, o estatuto da SAF também poderá “proibir a entrada de acionista que tenha sido condenado por qualquer crime previsto na legislação brasileira e/ou de leis relativas à coibição de atos de corrupção, suborno ou lavagem de dinheiro e/ou (ii) que conste de lista de pessoas visadas por leis de sanções econômicas”.

Fonte : GE