Vasco tem planos ambiciosos que dependem apenas da 777 Partners; Entenda

O Vasco tem planos ambiciosos que dependem exclusivamente da 777 Partners para se realizarem. O clube sonha em participar da gestão do Maracanã e seguir atuando em uma versão reformada de São Januário. Duas empreitadas que somente devem sair do papel com o aporte financeiro do grupo americano.

A comitiva dos investidores, interessados na compra de 70% da Sociedade Anônima que o presidente Jorge Salgado tenta criar e vender, visitou ontem o complexo de São Januário. Na minuta de entendimento assinada pelas partes, a 777 se compromete em assumir a gestão do espaço e pagar aluguel ao clube associativo.

No primeiro contato com a instalação de maior porte que vão herdar em caso de compra da SAF, Joshua Wander, um dos donos da 777 Partners, demonstrou interesse em financiar intervenções na Colina. Entretanto, existem áreas de sombra a serem debatidas entre as partes.

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Primeiramente, nada obriga que o grupo abrace o projeto apresentado pelo Vasco em agosto de 2020, cujo custo para ser executado está na casa dos R$ 275 milhões. O cruz-maltino está aberto para discutir alterações ou até mesmo tratar de um novo projeto para São Januário — a preservação da fachada histórica e da arquitetura das sociais é desejo comum entre as partes.

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O mais importante, porém, diz respeito à origem do dinheiro a ser investido numa possível reforma do estádio. O Vasco entende que a obra deva sair de um investimento extra por parte da 777. Joshua Wander, em entrevista ao GLOBO, sinalizou que poderia custear a obra com parte dos R$ 700 milhões que o grupo se comprometeu a investir na SAF para ter, como contrapartida, 70% dos ativos:

— Como vocês sabem, a abrangência do acordo financeiro que estamos fazendo é muito grande e parte do investimento poderia ser direcionado para a reforma de São Januário.

Maracanã

Ao mesmo tempo, o Vasco vislumbra participar da gestão do Maracanã. Uma nova licitação para definir quem terá o controle do estádio pelos próximos 20 anos está para ser aberta pelo governo estadual. O interesse do cruz-maltino é dividir a administração do estádio com Flamengo e Fluminense, mas a ideia esbarra na resistência dos rivais. Para a dupla, o Vasco é bem vindo, mas como locatário.

Hoje, a diretoria levará a comitiva da 777 Partners para conhecer o Maracanã. Caso os americanos comprem a ideia, os vascaínos acreditam que podem ganhar novo fôlego financeiro na disputa pela concessão do estádio. O edital de licitação deve conter uma série de requisitos econômicos aos participantes que podem ser um problema para o tricolor, às voltas com dificuldades no fluxo de caixa, que deverão aumentar com a não classificação do time para a fase de grupos da Libertadores.

A criação e venda da SAF para os americanos traria para a empresa um aporte que a tornaria forte na disputa pelo estádio. Nos planos do Vasco, o Maracanã serviria para a realização de partidas com potencial para receberem grande público, além de ampliar o leque de negócios possíveis.

Amanhã, eles retornarão ao estádio, para acompanhar o clássico entre Flamengo e Vasco, pela semifinal do Campeonato Carioca. Joshua Wander, já falando como um presidente vascaíno, provocou o rival:

— Estive com os jogadores e estão todos muito motivados para o clássico. Vamos ao jogo e quero muito encontrar com a torcida do Vasco pela primeira vez. Uma coisa posso prometer: essa será a última vez na história que o Vasco entrará em campo em desvantagem financeira contra eles.

A declaração aconteceu depois de a comitiva da 777 passar a manhã em São Januário ao lado de Roberto Dinamite, maior ídolo da história do clube. Outro vascaíno ilustre que os americanos conheceram foi o prefeito Eduardo Paes. Ele abriu o Palácio da Cidade para conversarem sobre o papel da prefeitura em um projeto de modernização da Colina. Vale lembrar que o CT Moacyr Barbosa, que receberá investimentos da 777, fica em terreno cedido pelo município.Fonte: Extra Online